DOCUMENTOS GRÁFICOS EM PESQUISA CIENTÍFICA

Org. Prof. Joel Irineu Lohn

 

 1 – ARTIGO

 

 

1.1 - ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO

            O artigo é a apresentação sintética, em forma de relatório escrito, dos resultados de investigações ou estudos realizados a respeito de uma questão.

 O objetivo fundamental de um artigo  é o de ser um meio rápido e sucinto de divulgar e tornar conhecidos, através de sua publicação em periódicos especializados, a dúvida investigada, o referencial teórico utilizado (as teorias que serviram de base para orientar a pesquisa), a metodologia empregada, os resultados alcançados e as principais dificuldades  encontradas no processo de investigação ou na análise de uma questão.

Os problemas abordados nos artigos podem ser os mais diversos: podem fazer parte quer de questões que historicamente são polemizadas quer de problemas teóricos ou práticos novos.

O artigo tem a seguinte estrutura: identificação, abstract, palavras-chave, artigo (corpo), referências bibliográficas, anexos ou apêndices (quando necessário) e data.

 

Identificação:

·         titulo do trabalho;

·         autor;

·         qualificação do autor (profissional e acadêmica: o que faz, local de trabalho e qual é a sua titulação acadêmica mais elevada).

 

b) Abstract (resumo):

 

Em poucas frases apresenta-se o resumo do que foi pesquisado, os objetivos pretendidos, a metodologia utilizada e os resultados alcançados. Para publicação em periódicos o abstract deve ser apresentado também em idioma estrangeiro de grande divulgação, geralmente em inglês.

 

c) Palavras-chave:

 

Termos (palavras ou frases curtas) que indicam o conteúdo do artigo, em português e em idioma estrangeiro estabelecido.

d) Artigo (corpo):

 

d1 – introdução: apresenta e delimita a dúvida investigada (problema de estudo – o quê), os objetivos (para que serviu o estudo), a metodologia usada no estudo (como) e que autores, obras ou teorias serviram de base teórica para construir a análise do problema;

 

d2- desenvolvimento e demonstração dos resultados: esta parte do artigo serve para o autor fazer uma exposição e uma discussão das teorias que foram utilizadas para entender e esclarecer o problema, apresentando-as e relacionando-as com a dúvida investigada. Serve também para apresentar as conclusões alcançadas, com as respectivas demonstrações dos argumentos teóricos e/ou de resultados de provas experimentais que as sustentam;

 

d3- conclusão: comentários finais avaliando o alcance e limites do estudo desenvolvido.

 

O corpo do artigo pode ser dividido em quantos itens quantos forem necessários, de acordo com a natureza do trabalho elaborado.

 

 

e) Referências bibliográficas:

 

Lista-se as referências bibliográficas pertinentes a todas as citações feitas, de acordo com as normas da ABNT.

 

 

f) Anexos ou apêndices (quando necessário).

 

Data do artigo (se for uma comunicação apresentada em algum simpósio ou congresso, especificar o local e o nome do evento).

 

Tendo em vista que o artigo se caracteriza por ser um trabalho extremamente sucinto, exige-se que tenha algumas qualidades: linguagem correta e precisa, coerência na argumentação, clareza na exposição das idéias, objetividade, concisão e fidelidade às fontes citadas. Para que essas qualidades se manifestem é necessário, principalmente, que o autor tenha um elevado conhecimento a respeito do que está escrevendo.

 

 

1.2 -Tipos de artigos:

            A redação de um artigo deve antever o público a que se destina o periódico. Se a clientela é mais ampla, a linguagem é mais acessível; se a clientela é especializada, terminologia e nível da linguagem são mais apurados. Os artigos podem ser de três tipos: analíticos, classificatórios ou argumentativos.

 a)  Os analíticos descrevem, classificam e definem o assunto e levam em conta a forma e o objetivo que se tem em vista.

 b) Os classificatórios fazem uma ordenação de aspectos de determinado assunto e a explicação de suas partes.

c)  Os argumentativos enfocam um argumento e depois apresentam fatos que provam ou refutam o mesmo.

 

  

2 - PAPER OU COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Paper ou comunicação cientifica define-se como a informação que se apresenta em congressos, simpósios, reuniões, academias, sociedades científicas. Em tais encontros são expostos, em reduzido espaço de tempo, os resultados realizados. A finalidade é difundir resultados de pesquisa.

            O conteúdo de um  paper deve conter:

a)  Introdução: Formulação do tema, justificativa, objetivos, metodologia, delimitação do problema,  abordagem e exposição lógica das idéias  apresentadas.

b)  Desenvolvimento: Exposição detalhada do que se disse na introdução e  fundamentação lógica das   idéias apresentadas.

c)  Conclusão : Busca da síntese dos resultados da pesquisa.

 

        Este conteúdo é inserido  em um  documento que contém: folha de rosto, sinopse, conteúdo e  bibliografia.

          Como o tempo é restrito, a linguagem deve ser concisa, correta e precisa. Logo, pressupõe-se que o apresentador tenha conhecimento do tema, saiba precisar a terminologia e adequá-la  à platéia e esteja preparado para responder as questões que surgirem durante o evento.

  

 

3 - Position Paper

      

              O position paper tem por objetivo principal, contribuir para o desenvolvimento da criatividade dos acadêmicos dos diferentes níveis de escolaridade, mediante a reflexão e interpretação do que se encontra escrito nos livros, textos sumarizados, artigos, folhetos, jornais, etc. e também do que se observa nos diversificados contextos empresariais, ambientais e societários.

               Mediante a solicitação de trabalhos do tipo position paper, o docente deixa de ser um mero reprodutor do saber, assim como o aluno deixa de ser um mero receptor de informações. Isto pode ser verificado através dos questionamentos que poderão surgir acerca do texto e/ou da observação prática, desde a dúvida até a comprovação em termos do que foi lido  e observado nos contextos organizacionais e sociais.

           

3.1 - O QUE É POSITION PAPER?

             O QUE É:  uma posição do acadêmico em relação aos argumentos apresentados pelo autor acerca de um assunto ou em relação ao que foi  observado na prática empresarial e social.

           O QUE NÃO É:  uma descrição e/ou resumo apresentado pelo autor ou em relação ao que foi observado na prática empresarial e no contexto social.    

                  

3.2 - COMO FAZER:

- desenvolver leitura exploratória, reflexiva e interpretativa e/ou observar a realidade de forma interpretativa e crítica;

- identificar os termos chaves e/ou indicadores que o autor procura dar mais ênfase;

- verificar qual é a posição pessoal do acadêmico em relação ao assunto apresentado pelo autor e/ou em relação a prática empresarial observada em termos de CONCORDÂNCIA E/OU DISCORDÂNCIA.

         O aluno pode concordar e/ou discordar em parte como pode concordar e/ou discordar na íntegra dos argumentos apresentados pelo autor. A partir do questionamento em termos de concordância e/ou discordância o aluno tem que fundamentar.

          O aluno para verificar se concorda ou discorda deve levar em conta: a sua estrutura valorativa, a sua experiência profissional e a sua visão de mundo, assim como, a formação histórica do país e/ou região, dentre outros aspectos.

 

3.3 - COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL  

            O position paper não segue, necessariamente, a estrutura dos tipos de trabalhos, como, por exemplo, resenha crítica e revisão bibliográfica: capa, sumário, introdução, desenvolvimento, conclusão, etc.

             No position paper considera-se os seguintes elementos como principais:

- dados de identificação: universidade, curso de (...), disciplina, professor (a), aluno(a) - cabeçalho da folha.

- título - opcional pelo fato do objetivo já  deixar claro para o leitor o assunto que será desenvolvido.

- objetivo:  no primeiro parágrafo o acadêmico deve deixar claro para o leitor qual é o alvo que pretende alcançar, ou seja, deve informar ao leitor o assunto e/ou ponto destacado pelo autor que será dado ênfase.

           Por exemplo: No presente position paper, procura-se verificar a aplicabilidade do conceito de participação junto às empresas públicas e privadas, a partir dos fundamentos discutidos por Semler em sua obra Virando a Própria Mesa. No exemplo, fica claro para o leitor que o posicionamento do acadêmico em termos de concordância e/ou discordância se limita ao assunto participação. O mesmo como já ressaltado pode discutir todas as idéias apresentadas pelo autor ou apenas uma ou duas delas.

  

3.4 - Texto propriamente dito

Deve deixar claro para o leitor qual é o posicionamento do aluno em relação aos argumentos do autor e/ou em relação ao que foi observado na prática empresarial e na sociedade. O aluno deve fundamentar seu ponto de vista. O posicionamento não pode ficar no “achismo”.

- notas conclusivas - no último parágrafo o acadêmico deve apresentar as principais posições assumidas no transcorrer do trabalho.

- referências bibliográficas - a referência bibliográfica deve ser citada quando o position paper foi decorrente de livros, jornais, artigos, folhetos, etc. dentro das normas da ABNT.       

 Quando o position paper apresentar como objetivo a interpretação de uma realidade social e empresarial vivenciada pelo acadêmico, o mesmo deve  citar o local, dentre outros aspectos.

  

 

4 - Resenha crítica

             A resenha crítica compreende a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma avaliação crítica. Expõe-se, claramente e com certos detalhes o conteúdo da obra, o propósito da obra e o método que segue para, posteriormente, desenvolver uma apreciação crítica do conteúdo, da disposição das partes, do método, de sua forma ou estilo e, se for o caso, da apresentação tipográfica.

           A resenha crítica é, assim, o resumo e o comentário mais ou menos exaustivo de um livro científico ou de um ensaio. Para a elaboração do comentário crítico, utilizam-se as opiniões de diversos autores da comunidade científica em relação com as defendidas pelo autor para se estabelecer todos os tipos de comparações com os enfoques, métodos de investigação e formas de exposição de outros autores.

             A resenha crítica de acordo com Salvador (1986, p. 20) apresenta as seguintes exigências de quem a elabora:

a) conhecimento completo da obra - não deve   se limitar à leitura do índice,   prefácio e de um ou outro capítulo ...;

b) competência na matéria exposta no livro,  bem como a respeito do método empregado;

c) capacidade de juízo crítico para   distinguir claramente o essencial do supérfluo;

d) independência de juízo - ... o  que   importa  não a saber se as conclusões do autor  coincidem com nossas opiniões, mas se foram deduzidas corretamente;

 e) correção e urbanidade - respeitando sempre  a pessoa do autor e suas intenções ...;

 f) fidelidade ao pensamento do autor, não falsificando suas opiniões, mas assimilando com exatidão suas idéias, para examinar cuidadosamente e com acerto sua posição ..."

             Uma resenha crítica pode converter-se num pequeno artigo científico e até mesmo num trabalho monográfico em torno de um assunto ou de uma determinada realidade investigada.

            Pelo que foi explicitado a respeito do que compreende a resenha crítica, fica evidente a abordagem objetiva (onde o autor procura descrever o assunto ou o que foi observado sem emitir juízo de valor) e a abordagem subjetiva (apreciação crítica onde se evidenciam os juízos de valor de quem está elaborando a resenha crítica).

             A resenha crítica apresenta a seguinte estrutura:

           CAPA; SUMÁRIO;  1- INTRODUÇÃO;  2- DESCRIÇÃO DO ASSUNTO;

           3 - APRECIAÇÃO CRÍTICA;  4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS;

           5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS;  6 -  ANEXOS.

            Na introdução o autor deve apresentar o assunto de forma genérica até chegar ao foco de interesse, ou o ponto de vista que será focalizado. Uma vez apresentado o foco de interesse, o autor deve mostrar a importância do mesmo,  a fim de despertar o interesse do leitor. Por último, deve-se deixar claro o caminho/método que orienta o trabalho.

             A descrição do assunto do capítulo, artigo, livro ou ensaio compreende a apresentação das idéias principais e das secundárias que sustentam o pensamento de quem escreveu a obra. Para facilitar a descrição do assunto, sugere-se a construção dos argumentos por progressão.

             A construção por progressão, segundo Galliano (1979, p. 131) "... consiste no relacionamento dos diferentes elementos, mas  encadeados em seqüência lógica, de modo a haver sempre uma relação evidente entre um elemento e o seu antecedente".

             A apreciação crítica deve ser feita em termos de concordância e ou discordância. para facilitar a elaboração da mesma, ou seja, se o autor que se encontra elaborando concordar ou discordar, o mesmo, deve levar em consideração a validade ou a aplicabilidade do que foi exposto no livro, artigo ou observado nos diferentes contextos. Deve-se, ainda, para fundamentar a apreciação crítica , levar em conta a opinião de autores da comunidade científica em relação às defendidas pelo autor, bem como os juízos de valor, a experiência profissional, a visão de mundo e a noção histórica do país e/ou região que possui o autor que está elaborando o documento.

            Nas considerações finais, deve-se apresentar as principais reflexões e constatações decorrentes do desenvolvimento do trabalho. As referências bibliográficas seguem as orientações da ABNT.

            O artigo, capítulo, etc. selecionado para o desenvolvimento da resenha crítica deve ser colocado, em anexo, para facilitar comparações do que foi descrito pelo acadêmico em relação ao que foi apresentado pelo autor do artigo ou capítulo.  

            Vale ressaltar que a resenha crítica pode assumir o caráter avaliativo de situações reais, ou seja, o autor ao invés de descrever o assunto de uma obra ou de um  artigo, o mesmo pode descrever o comportamento de uma organização em relação ao seu ambiente, para posteriormente, desenvolver uma apreciação crítica.  Este tipo de trabalho é conhecido por pesquisa de avaliação, onde o autor procura descrevera a realidade para fazer uma análise das vantagens e/ou desvantagens com vistas de estabelecer ações para a melhoria das fraquezas observadas ou para incrementar as ações já estabelecidas.

 

 

 

 Referências bibliográficas e bibliografia:

Amboni, Nério  e  Amboni, Narcisa. TRABALHOS ACADÊMICOS E EMPRESARIAIS: síntese, revisão bibliográfica, position paper e resenha crítica. Florianópolis: Unisul (mimeo), 2000.

CERVO, A. L., BERVIAN, P.A. Metodologia cientifica.  São Paulo: Mc Graw-Hill, 1983.

GALLIANO, A. G. O. Método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 1979.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1992.

RUIZ, J. A. Metodologia cientifica: guia para eficiência nos estudos.  São Paulo: Atlas, 1996.

SALVADOR, A. D. Métodos e Técnicas de Pesquisa Bibliográfica. Porto Alegre: Livraria Sulina, 1977.

 SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 1986.