RESUMOS

Org. Prof. Msc. Joel Irineu Lohn

 

 

Os resumos são instrumentos obrigatórios de trabalho através dos quais se podem selecionar obras que merecem a leitura do texto completo. Entretanto, os resumos só são válidos quando contiverem, de forma sintética e clara, tanto a natureza da pesquisa realizada quanto os resultados e as conclusões mais importantes, em ambos os casos destacando-se o valor dos achados ou de sua originalidade.

 

 

Conceito, Finalidade e Caráter

 

O resumo é uma apresentação seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da obra.

A finalidade do resumo consiste na difusão das informações contidas em livros, artigos, teses etc., permitindo a quem o ler resolver sobre a conveniência ou não de consultar o texto completo. O caráter de um resumo depende de seus objetivos: apresentar um sumário narrativo das partes mais significativas, não dispensando a leitura do texto; condensação do conteúdo, expondo ao mesmo tempo tanto as finalidades e metodologia quanto os resultados obtidos e as conclusões da autoria, permitindo a utilização em trabalhos científicos e dispensando, portanto, a leitura posterior do texto original; análise interpretativa de um documento, criticando os diferentes aspectos inerentes ao texto.

 

Como Resumir

 

Levando-se em consideração que quem escreve obedece a um plano lógico através do qual desenvolve as idéias em uma ordem hierárquica, ou seja, proposição, explicação, discussão e demonstração, é aconselhável, em uma primeira leitura, fazer um esboço do texto, tentando captar o plano geral da obra e seu desenvolvimento.

A seguir, volta-se a ler o trabalho para responder a duas questões principais: de que trata este texto? O que pretende demonstrar? Com isso, identifica-se a idéia central e o propósito que nortearam o autor.

     Em uma terceira leitura, a preocupação é com a questão: como o disse? Em outras palavras, trata-se de descobrir as partes principais em que se estrutura o texto. Esse passo significa a compreensão das idéias, provas, exemplos etc. que se servem como explicação, discussão e demonstração da proposição original (idéia principal). É importante distinguir a ordem em que aparecem as diferentes partes do texto. Geralmente quando o autor passa de uma idéia para outra, inicia novo parágrafo; entretanto, a ligação entre os parágrafos permite identificar:

 

a) conseqüências (quando se empregam palavras tais como: em conseqüência, por conseguinte, portanto, por isso, em decorrência disso etc.);

b) justaposição ou adição (identificada com expressões de tipo: c, da mesma forma, da mesma maneira etc.);

c) oposição (com a utilização das palavras: porém, entretanto, por outra parte, sem embargo etc.);

d) incorporação de novas idéias;

e) complementação do raciocínio;

f) repetição ou reforço de idéias ou argumentos;

g) justificação de proposições (por intermédio de um exemplo, comprovação etc.);

h)digressão (desenvolvimento de idéias até certo ponto alheias ao tema central do trabalho).

 

Os três últimos casos devem ser totalmente excluídos do resumo.

 

    A última leitura deve ser feita com a finalidade de:

 

a) compreensão do sentido de cada parte importante;

b) anotação das palavras-chave;

c)verificação do tipo de relação entre as partes (conseqüência, oposição, complementação etc.).

 

Uma vez compreendido o texto, selecionadas as palavras-chave e entendida a relação entre as partes essenciais, pode-se passar à elaboração do resumo.

 

 

Tipos de resumos

 

Dependendo do caráter do trabalho científico que se pretende realizar, o resumo pode ser: indicativo ou descritivo; informativo ou analítico; crítico.

 

a) indicativo ou descritivo - quando faz referência às partes mais importantes, componentes do texto. Utiliza frases curtas, cada uma correspondendo a um elemento importante da obra. Não é simples enumeração do sumário ou índice do trabalho. Não dispensa a leitura do texto completo, pois  apenas descreve sua natureza, forma e propósito;

 

b) informativo ou analítico - quando contém todas as informações principais apresentadas no texto e permite dispensar a leitura desse último; portanto, é mais-amplo do que o indicativo ou descritivo. Tem a finalidade de informar o conteúdo e as principais idéias do autor, salientando:

bullet os objetivos e o assunto (a menos que se encontre explicitado no título);
bullet os métodos e as técnicas (descritas de forma concisa, exceto quando um dos objetivos do trabalho é a apresentação de nova técnica);
bullet os resultados e as conclusões.

 

    Sendo uma apresentação condensada do texto, esse tipo de resumo não deve conter comentários pessoais ou julgamentos de valor, da mesma maneira que não deve formular críticas. Deve ser seletivo e não mera repetição sintetizada de todas as idéias do autor. Utilizam-se, de preferência, as próprias palavras de quem fez o resumo; quando cita as do autor, apresenta-as entre aspas. Não sendo uma enumeração de tópicos, o resumo informativo ou analítico deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas. Ao final do resumo, indicam-se as palavras-chave do texto. Da mesma forma que na redação de fichas, procura-se evitar expressões tais como: o autor disse, o autor falou, segundo o autor ou segundo ele, a seguir, este livro (ou artigo, ou documento) e outras do gênero, ou seja, todas as palavras supérfluas. Deve-se dar preferência à forma impessoal.

 

c) crítico - quando se formula um julgamento sobre o trabalho. É a critica da forma, no que se refere aos aspectos metodológicos; do conteúdo; do desenvolvimento da lógica da demonstração; da técnica de apresentação das idéias principais. No resumo crítico não pode haver citações.

 

        Os resumos devem ser utilizados em:

 

a) Documentação primária especifica (artigos e outras partes de revistas, relatórios, teses, monografias, atas de congressos e patentes).

b) documentação secundária (publicações de indexação e análise, prospectos e catálogos de editoras e livrarias).

c) bases de dados bibliográficos.

 

    Localização:

 

            O resumo deve  ser colocado:

a) precedendo o texto na língua original;

b) após o texto na língua da tradução;

c) independente do texto, em revistas de análise, em seções especiais de periódico, precedidos da respectiva referência bibliográfica.

 

 

Redação e estilo:

 

    Redação:

 

O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho.  A ordem e a extensão destes itens dependem do tipo do resumo (informativo ou indicativo) e do tratamento que cada item recebe no trabalho original.

 

Os métodos e técnicas de abordagem devem ser descritos de forma concisa: convém, entretanto, identificar novas técnicas, o princípio metodológico fundamental e a ordem das operações. Para trabalhos não experimentais, descrever as fontes e tratamento dos dados.

Nos resultados, deve-se ressaltar o surgimento de fatos novos, descobertas significativas, contradições e teorias anteriores, relações e efeitos novos verificados.

Deve-se precisar os valores numéricos brutos ou derivados, os resultados de uma ou várias observações repetidas e indicar os limites de precisão e graus de validade.

Deve-se descrever as conclusões, isto é, as conseqüências dos resultados e o modo como eles se relacionam aos objetivos propostos no documento, em termos de recomendações. aplicações, sugestões, novas relações e hipóteses aceitas ou rejeitadas.

Modificações e métodos  aplicados. Constantes físicas determinadas de modo novo, novos compostos, documentos e fontes de dados descobertos devem ser indicados mesmo sem relação direta com o assunto tratado.

 

Recomenda-se que os resumos tenham as seguintes extensões:

a) para notas e comunicações breves, os resumos devem ter até 100 palavras;

b) para monografias e artigos, até 250 palavras;

c) para relatórios e teses, até 500 palavras.

 

 

    Estilo:

 

O resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos.

A primeira frase deve ser significativa, explicando o tema principal do documento. A seguir, deve-se indicar a informação sobre a categoria do tratamento (isto é, memória científica, estudo de casos, análise da situação, etc. ).

Deve-se dar preferência ao uso da terceira pessoa do singular e do verbo na voz ativa.

As palavras-chave e descritores, quando empregados no resumo, devem ter destaque especial.

 

 

     Deve-se evitar:

 

§        O uso de parágrafos;

§        O uso de frases negativas, símbolos e contrações que não sejam de uso corrente;

§        Fórmulas, equações, diagramas, etc., que não sejam absolutamente necessárias; quando seu emprego for  imprescindível, defini-las na primeira vez que aparecerem.

 

 

 

FICHAMENTOS

 



                O fichamento é uma parte importante na organização para a efetivação da pesquisa de documentos. Ele permite um fácil acesso aos dados fundamentais para a conclusão do trabalho.

                 Os registros e a organização das fichas dependerá da capacidade de organização de cada um. Os registros não são feitos necessariamente nas tradicionais folhas pequenas de cartolina pautada. Pode ser feita em folhas de papel comum ou, mais modernamente, em qualquer programa de banco de dados de um computador. O importante é que elas estejam bem organizadas e de acesso fácil para que os dados não se percam.

                Existem três tipos básicos de fichamentos: o fichamento bibliográfico, o fichamento de resumo ou conteúdo e o fichamento de citações.

 

 

 

Ficha Bibliográfica:

 

        É a descrição, com comentários, dos tópicos abordados em uma obra inteira ou parte dela .

 


  Exemplo:

 

Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça (1)

Histórico do Papel da Mulher na Sociedade (2)

......................................................................................... (3)

2. (4)

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)

Insere-se no campo do estudo da História e da Antropologia Social. A autora se utiliza fontes secundárias, colhidas através de livros, revistas e depoimentos. A abordagem é descritiva e analítica. Aborda os aspectos históricos da condição feminina no Brasil a partir do ano 1500 de nossa era. Além da evolução histórica da condição feminina, a autora desenvolve alguns tópicos específicos da luta das mulheres pela condição cidadã. Conclui fazendo uma análise de cada etapa da evolução histórica feminina, deixando expressa sua contradição ao movimento pós-feminista, principalmente às idéias de Camile Paglia. No final da obra faz algumas indicações de leituras sobre o tema Mulher. (5)



Observação: Neste e nos outros exemplos de Fichas os números entre parênteses representam o que está explicado abaixo:
(1) - Título do trabalho.
(2) - Seção primária do trabalho.
(3) - Seção secundária e terciária do trabalho (se houver).
(4) - Numeração do item a que se refere o fichamento.
(5) - Comentários ou anotações do pesquisador sobre a obra registrada.

 

Ficha de Resumo ou Conteúdo:

 

        É uma síntese das principais idéias contidas na obra. O pesquisador elabora esta síntese com suas próprias palavras, não sendo necessário seguir a estrutura da obra.


  Exemplo:

 

Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça (1)

Histórico do Papel da Mulher na Sociedade (2)

......................................................................................... (3)

2. (4)

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)
O trabalho da autora baseia-se em análise de textos e na sua própria vivência nos movimentos feministas, como um relato de uma prática.
A autora divide seu texto em fases históricas compreendidas entre Brasil Colônia (1500-1822), Império (1822-1889), República (1889-1930), Segunda República (1930-1964), Terceira República e o Golpe (1964-1985), o ano de 1968, Ano Internacional da Mulher (1975), além de analisar a influência externa nos movimentos feministas no Brasil. Em cada um desses períodos são lembrados os nomes das mulheres que mais se sobressaíram e suas atuações nas lutas pela libertação da mulher.
A autora trabalha ainda assuntos como as mulheres da periferia de São Paulo, a participação das mulheres na luta armada, a luta por creches, violência, participação das mulheres na vida sindical e greves, o trabalho rural, saúde, sexualidade e encontros feministas.
Depois de suas conclusões onde, entre outros assuntos tratados, faz uma crítica ao pós-feminismo defendido por Camile Paglia, indica alguns livros para leitura. (5)

 

 


Ficha de Citações:

 

        É a reprodução fiel das frases que se pretende usar como citação na redação do trabalho.

 

    Exemplo:

 

Educação da Mulher: a Perpetuação da Injustiça (1)

Histórico do Papel da Mulher na Sociedade (2)

......................................................................................... (3)

2. (4)

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1993. 181 p.
(Tudo é História, 145)
"Uma das primeiras feministas do Brasil, Nísia Floresta Brasileira Augusta, defendeu a abolição da escravatura, ao lado de propostas como a educação e a emancipação da mulher e a instauração da República." (p. 30)
“Sou neta, sobrinha e irmã de general” (...) “Aqui nesta casa foi fundada a Camde. Meu irmão, Antônio Mendonça Molina, vinha trabalhando há muito tempo no Serviço Secreto do Exército contra os comunistas. Nesse dia, 12 de junho de 1962, eu tinha reunido aqui alguns vizinhos, 22 famílias ao todo. Era parte de um trabalho meu para a paróquia Nossa Senhora da Paz. Nesse dia o vigário disse assim: ‘Mas a coisa está preta. Isso tudo não adianta nada porque a coisa está muito ruim e eu acho que se as mulheres não se meterem, nós estaremos perdidos. A mulher deve ser obediente. Ela é intuitiva, enquanto o homem é objetivo’.” (Amélia Molina Bastos apud Teles, p. 54)
"Na Justiça brasileira, é comum os assassinos de mulheres serem absolvidos sob a alegação de defesa de honra.” (p. 132) (5)”.

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 2 ed.
São Paulo: Atlas, 1991. 231 p.

VERA, Armando Asti. Metodologia da pesquisa científica. Porto Alegre: Globo, 1976.